FEIRA INCOMUM

Aviso: estes fragmentos são uma ficção amorosa inspirada (ou não) numa centelha de realidade. Portanto, não leve a sério.

da floricultura.

Esse é um post um tanto diferente. Trata-se do Tumblr do dono de uma floricultura aqui de São Paulo. Ele copia a mensagem dos cartões que vão junto das flores.

6 days ago -
Eu já aderi!

Eu já aderi!

I wanna hold you so much!

Honey pie you are making me crazy I’m in love but I’m lazy So won’t you please come home.

Honey pie you are making me crazy
I’m in love but I’m lazy
So won’t you please come home.

(Source: nicklugo, via i-heart-it)

ensaio sobre a roseira

Tenho buscado desacelerar, ir com mais calma quando a sensação é de descer a serra correndo, na banguela e parecer que vai perder o freio do carro, fazendo-me estatelar num poste, igual o caso daquele ciclista e a curva.

Só que eu não me machuca mais, né? Tem sempre o medo da ferida que não me deixa arriscar. Lembra dos joelhos ralados, onde nem dava tempo de tirar a casquinha? Pensei nisso pois não foram poucas as vezes que caí de bicicleta ou carrinho de rolimã e as palmas das minhas mãos ficaram no mínimo raladas para salvar alguns dentes e o nariz.

Mas minha questão é: “É nostalgia sentir saudade de ter as mãos avermelhadas e latejando pelo paralelepípedo? Ou é sadismo poder se machucar, ficar sarado e se machucar de novo?”

To falando isso porque lembrei daquela piada velha dos dois caras que vão brigar e um diz para o outro “Só não bate no rosto, que amanhã eu trabalho”.

Não posso mais ficar doente, me machucar ou sofrer, nessa altura do campeonato, certo? Tenho coisas a fazer e não posso me dar ao luxo de ficar machucado. Então, acabo diminuindo minhas feridas e, quando vejo, não estou mais descendo na banguela e piso no freio a cada sinal de perigo.

road and roses

Descendo a serra, a sensação de que as rodas não vão mais parar é uma delícia, ainda mais com o vento no rosto e a loucura de fechar os olhos, apagar os faróis. A batida ao final dela talvez seja iminente, mas mesmo assim nos entregamos. O problema é que não posso mais nos dar ao luxo de subitamente parar ou arriscar um acidente. Então, simplesmente é continuar correndo porque, agora, não tenho tempo para bater, nem acostamento para parar. E, pela primeira vez, essa brincadeira me dá medo.
Sei que isso tudo é meio clichê. Falar sobre desacelerar, diminuir o ritmo, ir com calma e tudo o mais que você sabe. Mas os clichês existem porque são verdadeiros, então é verdade. E é mais ou menos isso que fica latenjando na minha cabeça.

Não era a hora certa para dizer adeus, mas mesmo assim eles o fizeram, pois assim ele queria. Naquele ponto a estrada se apresentava distinta para ambos, não era bem uma bifurcação… Parecia que um estava a querer voltar e o outro a seguir, ou talvez voltar também. Pois já não lembravam de onde vinham, dormiram naquele ponto o tempo suficiente – no tempo deles –  para esquecerem quem eram antes. Construiram um lar, plantaram árvores e o jardim estava florido e ainda assim parecia que haviam chegado por ali há pouco tempo.

Os caminhos distintos em sentido mas de mesma direção talvez os conduzissem a um reencontro lá no futuro, milhas adiante. O problema eram os atalhos. Ele era fã dos atalhos, queria chegar logo, rápido. Chegar logo e… e partir novamente! Ela, mais paciente gostava da demora da viagem, queria chegar no momento exato – “exato do que?”, ele se perguntava. Pois, ela nunca procurava atalhos ou apressar o passo!

ways

Partiram, cada um para o seu lado.

Ela a passos rápidos e largos, lágrimas pulando à face, energicamente olhava para trás. Queria voltar correndo para ele… E quanto mais queria voltar mais acelerava os passos adiante. De qualquer forma ele nunca olhava para trás. Ele a ignorava. Parecia calmo desde ali, tão longe já. Sempre aquela calma que a fazia sentir desprezada. Mais ela chorava, mais rápido ia, aos soluços agora. “Ai que dor! Sabia que me ignorava, já não era de hoje…”.

Ele, desde que decidira ir-se, criara aquela coisa… aquilo que se parecia com ela! Ele não sabia o que fazer, desfrutar da companhia dela doía muito pois cada minuto parecia mais com o adeus do tamanho de uma vida inteira. O que ela chamara de “eu mesmo” ficara parado no mesmo lugar, ela sabia que ele iria andar rápido como sempre e não perceberia que “eu mesmo” estava parado. Enquanto isso ela o seguia, por de trás da árvore que eles haviam plantado ontem mesmo e já dava frutos… Olhos d’água até… sumiu.

Baseado no texto de Pablo

Minha oração é bem curta pra não entediar;
E vamo que vamo, que vamo que vamo, que dá.

Pinta teus lábios vermelho urucum e escreve tua boca em mim.

Pinta teus lábios vermelho urucum e escreve tua boca em mim.

(Source: giovanabaia)

Todo fim é um recomeço.
- e vice versa.

Todo fim é um recomeço.

- e vice versa.